Registros oficiais indicam que o Brasil contabilizou 1.518 vítimas de feminicídio no ano de 2025, um número que representa uma média de quatro assassinatos de mulheres por dia. A tipificação do crime ocorre quando o homicídio é praticado contra a mulher por razões da condição de ser mulher, envolvendo violência doméstica e familiar ou menosprezo à condição feminina.

Clícia, que viveu um relacionamento de oito anos, relatou ter sofrido agressões físicas e psicológicas durante o período. Entre os episódios de violência, ela destaca uma queimadura causada por ferro de passar roupas e o impedimento de sair de casa para buscar atendimento médico. A assistência foi obtida após o agressor sair para o trabalho, quando ela solicitou auxílio a vizinhos e familiares, sendo posteriormente atendida no setor de saúde do bairro Pampulha.

Especialistas apontam que a violência doméstica possui natureza multidisciplinar: fatores como dependência financeira, vínculo emocional e a percepção social de responsabilidade pela manutenção da unidade familiar são apontados como obstáculos para o rompimento do ciclo de agressões.

Apesar das campanhas de conscientização vinculadas ao 8 de março, casos de violência contra a mulher foram registrados na data neste ano. Em Uberaba, Taciana Ferreira Rodrigues, de 36 anos, morreu após ser atingida por disparos de arma de fogo efetuados por seu marido, um guarda municipal de 34 anos; crime este que ocorreu na residência do casal e foi presenciado por sua filha de oito anos. Já em Uberlândia, uma mulher foi baleada em uma casa noturna no bairro Planalto por seu ex-companheiro, de 71 anos, que não aceitava o término do relacionamento e, após realizar o disparo contra a vítima, atentou contra a própria vida.

Atualmente, a legislação brasileira prevê mecanismos de proteção, como as Medidas Protetivas de Urgência. Autoridades e sobreviventes reforçam a necessidade de buscar auxílio em redes de apoio e órgãos oficiais.

Para buscar ajuda ou realizar denúncias, estão disponíveis canais como o 180, que é a Central de Atendimento à Mulher com abrangência nacional e gratuita; a Polícia Militar pelo número 190 para situações de emergência, e as Delegacias Especializadas, conhecidas como Unidades de Atendimento à Mulher (DEAM).

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