O Núcleo de Inovação e Avaliação Tecnológica em Saúde da Universidade Federal de Uberlândia (Niats/UFU) está quebrando as barreiras dos consultórios médicos para entender a doença de Parkinson onde ela mais afeta a vida dos pacientes: em seus lares. O projeto “Parkinson no Lar” (Parkinson@Home) utiliza tecnologia de ponta para oferecer um olhar contínuo e realista sobre a patologia, indo além das avaliações clínicas tradicionais.
A grande inovação da pesquisa, conduzida no doutorado de Ariana Moura Cabral (PPGEB/UFU), é o uso de sensores vestíveis; que são semelhantes a relógios.
Diferente de uma consulta de 20 minutos, esses dispositivos permitem que os pesquisadores coletem dados enquanto o indivíduo realiza suas atividades normais. Sob a orientação do professor Adriano de Oliveira Andrade, o estudo integra uma rede internacional que inclui a Universidade de Brasília (UnB) e o Conselho Superior de Investigações Científicas da Espanha.
“A pesquisa entra no lar do indivíduo por meio de sensores que lembram um relógio. Assim, os sinais motores podem ser monitorados enquanto o indivíduo realiza normalmente suas atividades da vida diária”, explica Cabral.
O modelo de acompanhamento neurológico padrão possui limitações que o projeto Parkinson@Home busca sanar, especialmente no que diz respeito à representatividade, uma vez que sintomas intermitentes como tremores e rigidez podem não se manifestar durante o curto período da consulta. Além disso, fatores emocionais, como a ansiedade diante do médico, podem mascarar ou intensificar os sinais clínicos; enquanto a subjetividade dos relatos dos pacientes, que dependem da memória, frequentemente torna os dados imprecisos para um diagnóstico mais assertivo.
O objetivo final é ambicioso: levar essa tecnologia de monitoramento contínuo ao Sistema Único de Saúde (SUS). Com dados mais objetivos sobre como a medicação reage ao longo de 24 horas, as decisões clínicas se tornam estritamente personalizadas, ajustando doses e horários conforme a necessidade real de cada organismo.
A etapa de recrutamento já começou em Uberlândia: o protocolo dura cerca de um mês e meio e a intervenção na rotina é mínima. Podem participar da pesquisa tanto pessoas diagnosticadas com Parkinson, visando o monitoramento da evolução do quadro e da resposta medicamentosa, quanto pessoas sem a doença, que formam o grupo de controle fundamental para que os cientistas consigam diferenciar o envelhecimento natural das manifestações patológicas específicas.
Os interessados em contribuir para o avanço da ciência e da tecnologia em saúde podem entrar em contato com a equipe pelo e-mail arianacabral57@ufu.br ou realizar a inscrição via formulário online, disponível nos canais oficiais do Niats/UFU. A participação é voluntária e aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa da UFU.
Com informações do Portal Comunica UFU
