Uma decisão judicial proferida nesta terça-feira (21) causou revolta e indignação entre familiares e amigos do entregador Felipe Henrique Estevão Gonçalves, de 20 anos. O motorista que havia sido preso em flagrante após o acidente que vitimou o rapaz responderá ao processo em liberdade.

A soltura foi determinada durante a audiência de custódia, que ocorreu no fórum da cidade. Mesmo com o parecer favorável do Ministério Público pela prisão preventiva, o juiz responsável pelo caso entendeu que o condutor poderia ser liberado.

Além da concessão da liberdade, o magistrado determinou que o processo agora corra sob sigilo de Justiça: de acordo com a decisão, a medida visa proteger a integridade física e psicológica do motorista, justificando que o caso ganhou grande repercussão social e gera riscos ao autuado. A previsão é que o motorista deixe o sistema prisional já nesta quarta-feira (22).

A colisão fatal ocorreu na noite do último domingo (19). Felipe seguia por uma rua do bairro Laranjeiras em sua motocicleta quando foi atingido frontalmente por um carro que, segundo informações do Corpo de Bombeiros, teria invadido a contramão.

Os detalhes da ocorrência são considerados graves, com destaque para a violência do impacto, que fez com que a moto fosse arrastada por vários metros e o carro parasse fora da pista. Além disso, houve uma tentativa de fuga por parte do condutor, que tentou deixar o local logo após a batida, mas acabou sendo contido por populares. A embriaguez foi confirmada no local, uma vez que o motorista apresentava sinais claros de alteração psicomotora; e o teste do bafômetro ratificou o consumo de álcool.

Colegas de profissão e parentes de Felipe acompanharam a audiência e receberam a notícia da soltura com descrença. Na última segunda-feira (20), cerca de 100 motociclistas realizaram um cortejo pelas ruas de Uberlândia em homenagem ao jovem, pedindo por justiça e maior rigor na legislação de trânsito.

Para a família, fica a dor de perder um jovem de apenas 20 anos que tinha planos e uma vida inteira pela frente, somada a uma profunda sensação de impunidade diante da decisão judicial.

Veja a reportagem completa: