No palco do Cineteatro Nininha Rocha acontecerá um momento histórico para a cultura do Triângulo Mineiro. O espetáculo “Poesia Falada Subsolo” celebra o lançamento de um projeto inovador, reunindo 11 poetas locais e músicos para uma experiência onde o verso se torna corpo, melodia e imagem e a palavra é som!
“O lance foi transmutar o poema, contido no papel, agora através das interpretações de seus autores e autoras, com uma cama sonora crida a partir do som das palavras e do próprio ritmo da fala de cada poeta. Dessa forma o som do poema foi a base matriz para a composição musical, e não o inverso, como as vezes se vê na canção.” – comenta Sete.
O êxito do espetáculo se reflete na bilheteria, com os ingressos já oficialmente esgotados. Para quem garantiu o lugar, a noite promete ser uma imersão sensorial, entre palavra, som e imagem! Mas duas boas notícias, para quem não puder estar presente neste sábado, a obra já vive no digital e está disponível em todas as plataformas de streaming e a outra notícia é que haverá uma segunda apresentação, também totalmente gratuita, em breve no Dboche Pub Show.
A direção entre a escrita e a cena
O espetáculo cênico, sob a batuta de Samuel Giacomelli, foi desenhado para potencializar a essência de cada autor, transportando a literatura do papel para a tridimensionalidade do palco.
“A ideia foi aproveitar ao máximo o que cada participante tem de mais forte. Temos a potência vocal do slam, a leveza da dança e a tradição das intervenções de rua”, afirma Giacomelli. “É um processo de escuta e construção coletiva, onde figurinos, iluminação e desenhos de cena se unem para humanizar temas complexos e dar vida às potencialidades de cada artista”.
O elenco de 11 vozes
O espetáculo apresenta um panorama diverso da produção literária contemporânea de Uberlândia, reunindo talentos que traduzem a pluralidade da cena cultural local. Entre os nomes que compõem este elenco está Robson Camilo, o “Poeta Pescador Urbano”, célebre por suas intervenções literárias em bares e ruas da cidade, ao lado de Jeremias Brasileiro, doutor, historiador e embaixador da Congada, que traz consigo a força e a ancestralidade dos Reinados de Minas Gerais.
A força da palavra também se manifesta através de Nicole Kate, diretora e roteirista moldada pelo movimento Slam, que utiliza a escrita como ferramenta de impacto social, e de Marcus Vinícius Lessa, pesquisador universitário com um olhar apurado voltado para a poesia e a crítica literária. A vivência pessoal ganha voz com Carol Santos, mulher negra e periférica que processa a maternidade e o luto através dos textos, enquanto Mariana Anselmo integra a literatura à dança em suas pesquisas acadêmicas de mestrado e doutorado.
A experimentação e a resistência são marcas de Rodrigo Semfim, criador de zines e eventos de “música selvagem” que exploram o lúdico e o audiovisual, e de Iorrana Jullyce, educadora e slammer que faz da oralidade um território de pertencimento. O diálogo poético se estende a Wesley Claudino, bailarino e escritor que encontrou na “Dose Poética” sua forma de expressão, e a Robisson Sete, figura central da cultura local como escritor, editor da Editora Subsolo e músico. Por fim, a renovação do grupo é representada por Benjamin Albuquerque, o jovem que simboliza o “novo que sempre vem” nesta vibrante constelação poética.
Arquitetura sonora e visual
A trilha sonora original, ponto central da experiência, foi composta por Enzo Banzo, com arranjos assinados por ele e Rodrigo Nepomuceno. A produção musical é uma parceria entre a dupla e Robisson Sete e o álbum busca “costurar” as diferentes vozes, criando uma unidade sonora, e agora cênica, que se comunicam entre si e ao mesmo tempo respeitam a identidade de cada texto.
Sobre a proposta de unir poesia e música, o professor Sérgio Bento, do Instituto de Letras da UFU, afirma que “projetos como o Álbum Poesia Falada Subsolo restituem a arte das palavras à sua interação com o som e o movimento. Mais que um texto, o que se tem aqui é o hibridismo riquíssimo entre o sentido, os acordes e a prosódia de cada poeta. Ainda há o verso escrito, seguramente. Mas ele é puro movimento nas performances gravadas, fundindo-se com a musicalidade não como uma canção, mas como um “objeto verbal não-identificado”, em que a palavra liberta-se da página e cumpre seu papel de puro som”.
A identidade visual leva a assinatura de Thiago Carvalho, enquanto a iluminação fica a cargo de Cristiano Manso & Diego Nobre, garantindo que cada verso tenha a atmosfera exata para brilhar. “Esse é o Volume 1 e nossa intenção é organizar um novo álbum, com novos poetas em breve”, afirma o produtor Sete.
