Dados do governo mostram aumento nos pedidos de bloqueio voluntário em plataformas de apostas online por questões de saúde mental e perda de controle

Mais de 500 mil brasileiros já pediram autoexclusão de plataformas de apostas online desde a criação da ferramenta do governo federal voltada ao combate à compulsão em bets.

Segundo dados divulgados pela Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda na última quarta-feira (21), 519,2 mil usuários solicitaram o bloqueio voluntário das contas até maio deste ano.

A plataforma foi criada em dezembro de 2025 em parceria entre os ministérios da Fazenda e da Saúde para permitir que apostadores se afastem temporária ou permanentemente das casas de apostas online.

O cadastro pode ser feito pela plataforma oficial do governo. O usuário escolhe por quanto tempo deseja permanecer afastado das apostas: um, três, seis, nove ou 12 meses — ou até por tempo indeterminado. Durante esse período, ele fica impedido de acessar plataformas regulamentadas.

O sistema também pergunta, de forma opcional, o motivo da decisão. Segundo o governo, os dados ajudam a entender os fatores ligados ao vício em apostas e aprimorar políticas de prevenção.

Quais são os principais motivos da exclusão?

De acordo com o Ministério da Fazenda, 37% dos usuários afirmaram ter solicitado a autoexclusão por perda de controle sobre o jogo e problemas relacionados à saúde mental. Outros 25% disseram querer evitar o uso indevido de dados pessoais por plataformas de apostas.

Entre os usuários, 73% escolheram a exclusão por tempo indeterminado.

O que dizem especialistas e empresas do setor?

Executivos e especialistas em jogo responsável afirmam que as ferramentas de autoexclusão representam um avanço importante, mas defendem ações complementares de educação e conscientização.

“Mais do que disponibilizar ferramentas como autoexclusão e limites de uso, é fundamental garantir que o usuário tenha acesso à informação e consiga tomar decisões de forma responsável e orientada por dados”, diz Thiago Garrido, CEO da Cactus Gaming, empresa responsável por diversas casas de apostas no Brasil.

Já para Cristiano Costa, psicólogo clínico e organizacional e diretor de conhecimento (CKO) da Empresa Brasileira de Apoio ao Compulsivo (EBAC), as medidas são importantes para evitar a compulsão, mas ele também defende a orientação ao apostador para o uso responsável.

“Essas medidas representam um avanço importante na consolidação de práticas mais seguras no setor. As ferramentas de autobloqueio são essenciais para o manejo da compulsividade. Contudo, os ajustes de limites no momento do cadastro e o uso consciente das ferramentas de autocontrole são passos ainda mais importantes para garantir que as apostas continuem sendo uma forma de entretenimento, e não um risco”, diz Cristiano.

SUS vai oferecer atendimento para vício em apostas

Segundo o governo federal, a ferramenta também vai direcionar usuários para atendimento em saúde mental pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A proposta inclui testes para identificar sinais de compulsão em apostas e encaminhamento para ajuda especializada.

A partir de fevereiro de 2026, o SUS também deverá oferecer teleatendimento voltado a saúde mental relacionada a jogos e apostas online em parceria com o Hospital Sírio-Libanês.

SBT News