Solicitação pode ser feita virtualmente ou em agências dos Correios
Termina neste sábado (20) o prazo para aposentados e pensionistas solicitarem o ressarcimento de descontos indevidos do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O pagamento é fruto de uma Medida Provisória do governo federal, que liberou R$ 3,3 bilhões para o cumprimento de acordos judiciais.
A solicitação pode ser feita pelo aplicativo Meu INSS, pela Central 135 ou presencialmente em agências dos Correios. Segundo o ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, o prazo vale apenas para dar entrada no processo. Após iniciada, a ação só é concluída quando o reembolso é resolvido.
“Depois que a pessoa inicia o processo, o prazo só termina quando resolve a situação. Porque às vezes tem associação que tem uma posição, que mostra um documento, o associado, quer dizer, o aposentado ou pensionista não concorda e isso vai ficando para depois e ninguém vai ser penalizado. Ninguém vai ficar no prejuízo”, explicou.
Até o momento, mais de 6 milhões de pessoas contestaram as cobranças indevidas, conforme balanço do governo federal. Entre os que fizeram, 4,7 milhões aderiram ao acordo e receberam os valores, totalizando R$ 3,2 bilhões em restituições.
Quem pode aderir ao acordo?
– Beneficiários que contestaram descontos indevidos e não receberam resposta da entidade em até 15 dias úteis;
– Quem recebeu resposta irregular da entidade, como assinaturas falsificadas ou gravações de áudio no lugar de comprovantes válidos;
– Quem sofreu descontos entre março de 2020 e março de 2025;
– Beneficiários com processo na Justiça, desde que ainda não tenham recebido os valores (nesse caso, é preciso desistir da ação para aderir ao acordo).
Fraude financeira
Em abril de 2025, a Polícia Federal expôs um esquema de descontos indevidos por parte de entidades nos pagamentos de aposentados e pensionistas do INSS. As fraudes aconteceram entre 2019 e 2024, com prejuízo estimado de R$ 6,3 bilhões.
A revelação resultou no afastamento de cinco servidores públicos suspeitos de participarem no esquema, bem como na demissão do então presidente do INSS, Alessandro Stefanutto. Outro que deixou o cargo foi o então ministro da Previdência Social, Carlos Lupi (PDT), pressionado pela oposição.
Conforme as investigações, o crime se desenrolava em três escalões: operadores que movimentavam o dinheiro, servidores que corrompiam o sistema e políticos que indicavam e protegiam esses desvios.
O Congresso chegou a abrir uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para aprofundar as investigações e responsabilizar aqueles que participaram do esquema, mas os trabalhados terminaram sem um relatório final. A maioria dos parlamentares votarem contra o parecer do deputado Alfredo Gaspar (União Brasil-AL), que pedia o indiciamento de 216 pessoas.
SBT NEWS
