O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) oficializou a denúncia contra 38 investigados no centro de um dos maiores processos contra o tráfico de drogas e lavagem de dinheiro do Triângulo Mineiro. Entre os nomes, está o de Sara Monteiro, que foi eleita Miss Universe Uberlândia no passado.

A acusação é o desdobramento direto da Operação Luxury, deflagrada em abril deste ano pela Polícia Federal (PF) em conjunto com o MP. De acordo com o órgão, o grupo agia com uma clara divisão de funções e utilizava uma rede de empresas, contas bancárias, imóveis e veículos de luxo em nome de terceiros para ocultar e blindar o patrimônio bilionário obtido com o crime.

As investigações da PF e do MPMG apontam que a organização criminosa era responsável pelo transporte de grandes carregamentos de entorpecentes vindos do Mato Grosso do Sul com destino final ao Triângulo Mineiro. Posteriormente, o lucro da atividade ilícita era lavado no comércio local.

Para sustentar a denúncia, o Ministério Público reuniu um vasto conjunto de provas, incluindo interceptações telefônicas e telemáticas, quebras de sigilos bancários e fiscais, análises minuciosas de movimentações financeiras e documentos apreendidos e registros fraudulentos de empresas. De acordo com o relatório investigativo, a perícia constatou uma grritante incompatibilidade entre a renda declarada pelos suspeitos e o patrimônio ostentado e acumulado por eles.

O papel de Sara Monteiro na investigação

Sara Monteiro foi presa em São Paulo durante o cumprimento dos mandados da Operação Luxury. Longe de ser apenas uma figura decorativa, a Polícia Federal aponta que a miss era beneficiária direta dos recursos movimentados e atuava ativamente no núcleo financeiro e operacional do grupo.

Segundo a denúncia, Sara participava diretamente de negociações com fornecedores de drogas, auxiliava na complexa logística do transporte interestadual, disponibilizava imóveis e frotas de veículos para a quadrilha e gerenciava e blindava os aparelhos de comunicação interna da organização.

Dias após a repercussão de sua prisão, a Câmara Municipal de Uberlândia aprovou a revogação do título de cidadã honorária que havia sido concedido à miss.

Próximos passos na Justiça

Com o oferecimento da denúncia pelo MPMG, o caso entra em uma fase decisiva. Agora, cabe ao Poder Judiciário analisar as provas e decidir se recebe ou não a acusação. Caso a denúncia seja aceita, os 38 investigados se tornarão réus oficiais e responderão a uma ação penal.

De acordo com o nível de participação de cada envolvido, os denunciados responderão pelos crimes de organização criminosa, tráfico de drogas, associação para o tráfico e lavagem de capitais.

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