Uma cobrança por segurança viária na região do Triângulo Mineiro ganhou um novo capítulo: o Ministério Público Estadual (MPE) ingressou com uma ação na Justiça para exigir melhorias estruturais urgentes na rodovia MGC-497. Entre as principais solicitações feitas pelo órgão estão a implantação de acostamentos, defensas metálicas em trechos de risco e a duplicação da pista.
Os problemas estruturais da via remontam ao período de sua implantação: a falta de acostamento e de uma terceira faixa de rolamento em pontos críticos gera retenções e riscos de acidentes frequentes devido ao acúmulo de caminhões, ônibus e veículos de passeio.
Dados fornecidos pela Polícia Militar Rodoviária (PMRv) e reunidos pelo Ministério Público revelam um cenário preocupante ao longo dos anos sobre as condições de trafegabilidade da rodovia, apontando no histórico geral de 2010 a 2026 o registro de mais de 7.000 acidentes na MGC-497, com a perda de mais de 320 vidas.
Além disso, no trecho entre Uberlândia e Prata, foram contabilizados 1.556 acidentes entre 2004 e 2015, dos quais 91 envolveram vítimas fatais; sendo que os anos de 2012, 2013 e 2014 concentraram os maiores índices de ocorrência nesse período.
O Ministério Público Federal (MPF) já havia aberto um inquérito civil público em 2015 para apurar a ausência de acostamento na então BR-497, a atual MGC-497. O estudo realizado na ocasião foi compartilhado e serve de base para as atuais cobranças.
A ausência de uma área de escape nas laterais da pista é apontada como um dos fatores determinantes para a gravidade dos acidentes. Sem acostamento, condutores que enfrentam problemas mecânicos ou imprevistos encontram valas nas margens da rodovia, o que impossibilita a retirada do veículo da área de rolamento.
A permanência de veículos parados sobre a pista eleva o risco de colisões traseiras e atropelamentos, especialmente durante o período noturno. Segundo a promotoria, a duplicação é o mecanismo mais eficaz tanto para a preservação de vidas quanto para otimizar o escoamento da produção e fomentar o desenvolvimento econômico regional.
O Ministério Público solicitou uma medida liminar na Justiça para que o Estado dê início às obras estruturais em um prazo de 90 dias. O pedido emergencial aguarda análise do Judiciário.
A expectativa do órgão com a proposta da ação é mobilizar o Estado para que intervenções paliativas ou definitivas de segurança sejam antecipadas antes mesmo da sentença final do processo, visando mitigar os riscos diários aos motoristas que utilizam a MGC-497.
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