Presa desde novembro do ano passado, a médica Cláudia Soares Alves, acusada de raptar uma recém-nascida no Hospital de Clínicas da Universidade Federal de Uberlândia (HC-UFU) e apontada como mandante de um homicídio, denunciou estar sofrendo violência dentro do sistema prisional. Segundo relatos divulgados por um jornal de Belo Horizonte e confirmados por fontes próximas, ela teria sido agredida pelo menos três vezes por outras detentas na Penitenciária Professor João Pimenta da Veiga, em Uberlândia.
Na agressão mais recente, a defesa aponta que a detenta ficou com hematomas e ferimentos que provocaram sangramentos, além de relatar a ausência de um exame de corpo de delito imediato após o episódio.
Além das supostas agressões físicas, os advogados de Cláudia denunciam a falta de acompanhamento psiquiátrico e atendimento médico regular. A defesa alega que ela sofre de transtorno afetivo bipolar e que a falta de tratamento especializado agravou seu estado de saúde. No momento, a detenta também estaria lidando com um furúnculo que exigiria cuidados médicos imediatos.
A Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) contestou as acusações de negligência e garantiu que a presa recebe assistência médica regular, com fornecimento de medicamentos e consultas agendadas. Em nota, a pasta informou que as denúncias de agressão estão sob investigação interna e que, após o último episódio, Cláudia foi encaminhada ao setor de saúde da unidade e trocada de cela, além de ter um boletim de ocorrência registrado.
Sobre o tratamento psiquiátrico, a secretaria afirmou que a unidade oferece o suporte necessário, mas que a defesa optou por um profissional particular; cuja entrada, segundo a família, enfrentou barreiras burocráticas e só foi autorizada recentemente.
Relembre o caso: Rapto de bebê e acusação de homicídio
O nome de Cláudia Soares Alves ganhou repercussão nacional em julho de 2024, após o rapto de uma bebê com poucas horas de vida na maternidade do HC-UFU. Após uma operação das forças de segurança, a recém-nascida foi localizada com vida na clínica da médica em Itumbiara (GO), resgatada sem ferimentos e devolvida aos pais. Cláudia foi presa em flagrante na ocasião.
Contudo, este não é o único crime grave atribuído à profissional: ela também responde judicialmente como mandante do assassinato da farmacêutica Renata Bocatto Denari, em novembro de 2020 no bairro Martins, em Uberlândia.
De acordo com as investigações da Polícia Civil, Renata chegava ao trabalho quando foi abordada por um motociclista que lhe entregou um envelope, sendo atingida logo em seguida por seis disparos de arma de fogo. A apuração policial apontou que o crime teria sido motivado por uma obsessão de Cláudia pela filha da vítima.
A médica havia mantido um breve relacionamento com o ex-marido de Renata e, como a farmacêutica restringia a convivência da criança com o pai, por considerar Cláudia uma pessoa perigosa e instável, a suspeita teria planejado o homicídio. A investigação também apontou tentativas de burlar a apuração por meio de adulteração de placas de veículos, destruição de provas e falsificação de prontuários para forjar um álibi.
Cláudia Soares Alves deve ir a júri popular pelo assassinato da farmacêutica e segue respondendo às acusações na Justiça, enquanto os novos desdobramentos sobre sua segurança e integridade física na prisão continuam sob apuração administrativa.
