Clara Maria foi encontrada morta em uma casa no bairro Ouro Preto, na região da Pampulha, em Belo Horizonte, no dia 12 de março

Familiares e amigos se despediram do corpo da jovem Clara Maria, na manhã desta terça-feira (18), no Cemitério Campo do Bom Pastor. A família optou por não realizar o velório e apenas um momento de despedida reservado antes do sepultamento.

A cerimônia foi marcada por momentos de reflexão, emoção e indignação, com a presença de pessoas próximas, que prestaram suas últimas homenagens a jovem que assassinada de forma brutal.

Em entrevista, a irmã da jovem, Adriele Venâncio, visivelmente emocionada, expressou sua indignação e a necessidade urgente de respostas. “É imensurável a dor, a magnitude dessa situação. Não existe reparo. Agora é um processo, é o começo de uma causa que vai precisar ter muitas vozes. O que a gente quer é justiça por Clara, não somente por ela, mas em prol de tantas outras que estão no anonimato e que estão por vir.” afirmou.

Caso Clara Maria

O caso da morte de Clara Maria, de 21 anos, tem gerado uma grande repercussão em Belo Horizonte e em Uberlândia cidade em que nasceu. A jovem foi encontrada morta no dia 12 de março, três dias após seu desaparecimento, em uma casa no bairro Ouro Preto, na região da Pampulha. O corpo de Clara foi enterrado na varanda do imóvel onde residia um dos suspeitos do crime. Duas pessoas foram presas e a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) investiga o caso.

Segundo as investigações da PCMG, a principal hipótese é que Clara tenha sido assassinada após cobrar uma dívida de R$ 400 de um ex-colega de trabalho, Thiago Schafer Sampaio, de 21 anos. O empréstimo, feito três meses antes, ocorreu enquanto os dois ainda trabalhavam juntos. A polícia continua apurando os detalhes e a motivação do crime, que ainda não está totalmente esclarecida.

Ciúmes e Ideologia Extremista

Além da questão financeira, a investigação revelou outros fatores que podem ter influenciado o crime. De acordo com a PCMG, Thiago teria ficado furioso ao encontrar Clara acompanhada de seu namorado, três dias antes de sua morte. O caso também revelou uma possível motivação relacionada ao comportamento de Lucas Rodrigues Pimentel, de 29 anos, outro suspeito do crime. Durante o período em que Clara e Lucas trabalhavam juntos, ele foi repreendido por ela por usar expressões relacionadas ao nazismo. Em uma conversa com amigos, Lucas teria feito referências em alemão à ideologia supremacista, o que gerou um conflito entre ele e a vítima.

Suspeita de Necrofilia

Exames estão sendo realizados para verificar a possibilidade de que atos de necrofilia tenham ocorrido enquanto o corpo de Clara permaneceu na residência dos suspeitos. A suspeita surgiu após o depoimento de um dos acusados, que afirmou não ter tocado no corpo nem tirado fotos de Clara após sua morte.

Prisão Preventiva dos Suspeitos

Thiago Schafer Sampaio e Lucas Rodrigues Pimentel foram presos e permanecerão detidos durante o processo de julgamento. Em audiência de custódia realizada na sexta-feira, 14 de março, a Justiça mineira decidiu converter a prisão em flagrante dos dois em prisão preventiva. A juíza Alessandra de Souza Nascimento Gregório justificou a decisão destacando a “extrema gravidade” dos crimes cometidos e a necessidade de garantir “a ordem pública” durante o andamento das investigações.

À medida que o caso avança, novas e chocantes informações continuam a ser reveladas, incluindo possíveis vínculos com ideologias extremistas e a possibilidade de práticas de necrofilia. O caso de Clara Maria traz à tona não apenas um feminicídio brutal, mas também uma série de aspectos perturbadores sobre os envolvidos, deixando a comunidade e as autoridades em busca de justiça para a jovem.