As sequelas provocadas pela doença também podem acometer pacientes que não precisaram de internação

A Covid-19 pode afetar múltiplos órgãos, causando diferentes sequelas em cada organismo. Até pessoas tidas como saudáveis, que apresentam bom condicionamento físico, não estão imunes a ter um evento adverso no pós-covid, como uma parada cardiorrespiratória.

Dados do Ministério da Saúde mostram que cerca de 40% dos pacientes recuperados pela Covid-19 ainda continuam com algum tipo de sintoma ou desenvolvem alguns problemas ligados à doença.

De acordo com o fisioterapeuta Vinicius Minatel, professor do Centro Universitário Tiradentes (Unit Alagoas), o tratamento fisioterapêutico, principalmente no processo de reabilitação motora e cardiopulmonar, torna-se fundamental para minimizar os danos causados pela doença e garantir uma recuperação adequada para estes pacientes.

Ele lembra que a Covid pode atingir múltiplos órgãos e sistemas do corpo, e que as sequelas podem ser das mais variadas, como por exemplo função pulmonar prejudicada, fadiga, fraqueza muscular, limitação da mobilidade e da capacidade de realizar atividades diárias, alterações cognitivas, desordens mentais e psicológicas.

Para Vinícius, é necessário que o paciente faça uma avaliação médica e, encontradas sequelas, busque atendimento em fisioterapia para verificar qual o nível de atividade funcional o corpo dele se encontra, para que, assim, seja submetido a um programa de reabilitação.

“Os pacientes pós-covid podem ter sequelas, sejam elas motoras ou até mesmo vasculares, o que deixa com maior propensão de formar trombos, por isso, eles precisam fazer uma retomada gradativa das atividades, sendo que esta retomada vai depender da necessidade que o paciente vai apresentar. É preciso que ele tenha ciência que por causa das sequelas o corpo não terá o mesmo rendimento físico”, esclarece.

Ele acrescenta, ainda, que os pacientes que apresentaram sintomas leves ou moderados da doença e que, à época, não necessitaram de internação, também podem ter algum grau de comprometimento funcional. Cada caso requer um tratamento específico, por isso, todos os pacientes internados necessitam de um tratamento de Fisioterapia Respiratória, Fisioterapia Motora e Terapia Ocupacional para reabilitação. Já o tempo de recuperação dos pacientes vai depender da gravidade das sequelas, da idade e da presença de outras comorbidades.

“A fisioterapia vai proporcionar a estas pessoas um treinamento para a retomada do condicionamento aeróbico e musculoesquelético, ajudando a recuperar a força muscular, o condicionamento cardiovascular, a força muscular inspiratória e expiratória, melhora da sensação de dispneia e da efetividade da tosse, a independência para realizar as atividades de rotina e o retorno às atividades sociais e laborais”, destaca o especialista.

Minatel destaca que participou de um estudo com pessoas que ficaram internadas no hospital em meados da pandemia, foi observado que em muitos casos a fraqueza muscular e o cansaço para fazer as atividades do dia a dia se fizeram presentes no pós-covid e duraram até 12 meses depois.

 

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