Referência nacional no ensino acadêmico, o Laboratório de Anatomia Animal da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) tornou-se centro de uma polêmica após a divulgação de imagens que revelam um cenário de abandono e degradação. O local foi interditado preventivamente após denúncias graves sobre as condições de trabalho e estudo, que oferecem riscos diretos a alunos e funcionários.
Imagens que circulam nas redes sociais expõem o estado crítico da unidade: o registro mostra paredes tomadas pelo mofo, infraestrutura deteriorada e peças anatômicas em estágio avançado de decomposição. Alunos que realizam estágio no laboratório relatam um cotidiano marcado por problemas estruturais, como o acúmulo de poeira, mesas enferrujadas e falta de ventilação adequada, além da presença frequente de pragas, como baratas, aranhas e formigas. Somado a isso, os estudantes enfrentam o mau cheiro persistente de mofo e salmoura, bem como os riscos químicos decorrentes do uso inadequado de formol.
“As condições são insalubres. Já tivemos casos de colegas com intoxicação por vias aéreas devido à exposição constante ao formol em um ambiente sem circulação de ar”, relatou um estudante de Medicina Veterinária que preferiu não ser identificado.
A situação atinge diretamente a qualidade do ensino: peças fundamentais para o aprendizado, como músculos, nervos e órgãos, estão se decompondo por falta de conservação adequada. Além do prejuízo técnico, o calor excessivo dentro das instalações agrava o mal-estar de quem precisa frequentar o local diariamente.
Em nota, a Universidade Federal de Uberlândia esclareceu que a gestão direta do laboratório é de responsabilidade da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FAMEV). Diante da gravidade dos fatos, a instituição anunciou medidas emergenciais, que incluem o reforço de pessoal com a designação de um técnico pela Pró-Reitoria de Gestão de Pessoas (ProGP) para atuar no laboratório a partir do dia 26 de fevereiro.
Além disso, um plano de ação será estabelecido por meio de uma reunião agendada com a diretoria da faculdade para traçar estratégias que resolvam as demandas urgentes, reforçando o compromisso da UFU em sanar os problemas e garantir a segurança biológica e estrutural de todos os usuários da unidade.
