Uma força-tarefa da Polícia Civil de Minas Gerais desarticulou um esquema interestadual de adulteração de insumos agrícolas que tinha como destino produtores do Triângulo Mineiro. Durante uma operação realizada em Araguari, os investigadores apreenderam aproximadamente 100 toneladas de fertilizantes alterados.
A fraude, que ameaça a produtividade e a segurança financeira do setor agropecuário da região, funcionava de maneira estratégica para enganar compradores e manter o controle de peso das cargas transportadas.
De acordo com as investigações, a rota do golpe começava com caminhões carregados com fertilizantes originais e de alta qualidade, que partiam do estado do Paraná com destino a fazendas do Triângulo Mineiro. Antes de realizarem a entrega final aos produtores rurais, os veículos faziam uma parada estratégica em um galpão situado às margens da rodovia MG-414, em Araguari.
Era nesse local que os criminosos realizavam a adulteração, retirando parte do fertilizante original e substituindo-o por um material granulado de baixíssimo valor comercial, em um processo cuidadosamente feito para manter exatamente o mesmo peso da carga. Assim, evitava-se qualquer suspeita nas balanças das rodovias e das propriedades de destino.
A linha de investigação ganhou força após a polícia receber uma denúncia anônima sobre uma carreta suspeita que havia acabado de deixar o galpão na MG-414. Os agentes localizaram e abordaram o veículo.
Segundo a Polícia Civil, o motorista do caminhão confessou que havia recebido orientações expressas para levar a carga até o galpão, onde o processo de adulteração seria realizado. Ao entrarem no imóvel denunciado, os policiais encontraram uma estrutura industrial montada para a prática do crime: além das 100 toneladas de insumos, foram apreendidas uma retroescavadeira e uma empilhadeira. Ambos os maquinários eram utilizados para agilizar a movimentação, mistura e o ensacamento do material fraudado.
A perícia técnica esteve no galpão para colher amostras do material apreendido, que passarão por análises laboratoriais para identificar a composição exata do produto usado na adulteração. Os trabalhos da Polícia Civil continuam ativos: o objetivo agora é calcular o prejuízo financeiro total causado aos produtores prejudicados e identificar todos os integrantes da associação criminosa, incluindo os receptadores e os mentores do esquema interestadual.
