Clube admite falta de recursos para reforços, enfrenta dívida de R$ 2,5 bilhões e tenta reestruturar setor financeiro.

A grave situação financeira vivida pelo Corinthians tem dificultado a movimentação do clube no mercado de transferências. Apesar da busca por reforços, a diretoria interina admite a escassez de recursos para viabilizar contratações. Em entrevista ao programa Arena SBT, o vice-presidente interino, Armando Mendonça, foi direto ao afirmar que o clube não dispõe de verba para investir em novos atletas e aproveitou para criticar duramente o presidente afastado Augusto Melo, que responde a um processo de impeachment e é réu no caso “Vai de Bet”.

“Quem prometeu reforços foi o Augusto Melo junto com o Fabinho, o executivo de futebol. Ele também prometeu que não seria indiciado nem se tornaria réu. Esse é o Augusto Melo que faz promessas e ainda há quem acredite. Eu mesmo, como vice, acreditei até maio de 2024, quando rompi com ele”, afirmou Mendonça. Segundo ele, a atual gestão está empenhada em reorganizar o clube. “Estamos há 40 dias tentando moralizar o Corinthians, reestruturar um departamento financeiro que foi abandonado e não tinha controle. Agora, estamos correndo atrás de recursos.”

O técnico Dorival Júnior também abordou o tema após o empate por 0 a 0 com o Cruzeiro, pelo Campeonato Brasileiro. Em entrevista coletiva, o treinador revelou que, ao fechar com o clube, havia solicitado a chegada de pelo menos quatro reforços. “Me garantiram que isso seria feito. O Fabinho está se desdobrando para tentar resolver”, declarou Dorival.

Entre as negociações frustradas está a do atacante Carlos Vinícius, de 29 anos, que preferiu acertar com o Grêmio. Ele estava livre no mercado após o fim de contrato com o Fulham, da Inglaterra.

Além da dificuldade em contratar, o clube não descarta a possibilidade de vender jogadores para aliviar as finanças. Atletas como o volante Breno Bidon e o atacante Yuri Alberto são bem avaliados no mercado, embora não tenham recebido propostas concretas até o momento.

Mesmo com um faturamento expressivo de R$ 1 bilhão neste ano, o Corinthians enfrenta sérios problemas de caixa. A dívida total do clube gira em torno de R$ 2,5 bilhões, o que compromete o cumprimento de obrigações imediatas.

Apesar da pressão por mudanças estruturais, Armando Mendonça afirmou que ainda acredita ser possível superar a crise sem transformar o clube em uma Sociedade Anônima do Futebol (SAF). “É preciso avaliar bem esse modelo. Ainda acredito que o Corinthians tem capacidade de sair dessa situação com esforço e responsabilidade, sem precisar virar SAF”, concluiu.