Uma situação inusitada colocou autoridades ambientais e moradores do Triângulo Mineiro em alerta nos últimos dias. Uma grande quantidade de plantas aquáticas está avançando pelo leito do Rio Araguari e já ocupa um trecho de mais de 90 quilômetros, se estendendo de Nova Ponte até Indianópolis, na Represa de Miranda. O Ministério Público estadual confirmou que a vegetação pode atingir a estrutura do Sistema Capim Branco, responsável por abastecer cerca de 30% da população de Uberlândia; o que representa entre 250 mil e 300 mil pessoas.
De acordo com o promotor de Justiça Breno Lintz, a atuação das autoridades foca em duas frentes urgentes: viabilizar a retirada rápida do material da água e apurar as causas do crescimento acelerado da vegetação.
O diretor-geral do Departamento Municipal de Água e Esgoto (DMAE), Rodrigo Lacerda, classifica o cenário atual como de risco iminente para o abastecimento público. A presença massiva dessa vegetação pode provocar desde o entupimento das bombas de captação até alterações indesejadas no gosto e no odor da água tratada fornecida à população.
Especialistas identificaram que a espécie responsável pela proliferação é a Salvinia, conhecida popularmente como “orelha-de-onça”. A planta aquática se destaca pela altíssima capacidade de reprodução e espalhamento, sendo capaz de dobrar de volume em pouco mais de 24 horas sob condições favoráveis.
A hipótese principal para o surgimento do problema na região aponta para a abertura das comportas da Usina Hidrelétrica de Nova Ponte, realizada no dia 16 de agosto. O procedimento teria arrastado uma grande massa dessa vegetação rio abaixo, dando início ao deslocamento em direção às áreas de captação.
Diante do risco, uma força-tarefa composta por prefeituras da região, órgãos ambientais, o DMAE e a concessionária de energia responsável pelas usinas locais foi montada para conter o avanço das plantas. As equipes atuam tanto no monitoramento diário da distância entre a massa verde e os pontos de captação quanto na limpeza do rio.
Até o momento, cerca de quatro caminhões carregados de plantas já foram retirados manualmente da água. Apesar da gravidade do cenário, o DMAE informa que, por enquanto, não há registro de desabastecimento ou alteração na qualidade da água fornecida aos moradores de Uberlândia. No entanto, o monitoramento no Rio Araguari permanece contínuo e em caráter de urgência.
