Nas últimas semanas, um assunto tem tomado conta das redes sociais: as novelas feitas por Inteligência Artificial no TikTok. Abacatudo e Moranguete são alguns dos termos comentados por internautas que registraram um aumento significativo no último mês.

As novelas contam histórias de diferentes frutas, retratadas como personagens humanizados, envolvendo relações amorosas, traições e outros escândalos. Nos contos, são abordados temas diversos e há até mesmo sátiras de eventos que aconteceram realmente no Brasil, como os atos de 8 de janeiro de 2023, por exemplo.

Algumas dessas novelas contam com milhares de visualizações na rede social. As histórias do “Abacatudo”, o termo relacionado ao assunto mais pesquisado no Google Trends, já conta com milhares de visualizações. Desde o fim de março, a busca por “abacatudo”, “moranguete” e “frutas IA” no Google tiveram um aumento significativo.

Os conteúdos são envolventes, com histórias rápidas e reviravoltas chocantes. Segundo a psicóloga infantojuvenil Fernanda Fusco, elas prendem a atenção do público ao misturar elementos que o cérebro entende como recompensadores, como cores vibrantes, personagens inusitados, histórias curtas com conflitos exagerados e reviravoltas constantes. O formato curto dessas histórias também ativa a curiosidade, que prende a atenção do público.

“Do ponto de vista psicológico, isso se conecta com o chamado reforço intermitente, que é o mesmo mecanismo usado em jogos e redes sociais para manter o engajamento. O cérebro libera pequenas doses de dopamina a cada novidade, o que faz com que seja difícil parar de assistir”, explicou a especialista.

Problemas para crianças

Um dos grandes problemas desse tipo de conteúdo é a facilidade do alcance de crianças. Isso porque o TikTok é muito usado por elas e o conteúdo presente nas histórias é inadequado, tendo episódios de violência, relações tóxicas ou situações confusas.

O ritmo acelerado das histórias, os personagens coloridos e as histórias simples de entender são atrativos para as crianças, de acordo com a psicóloga.

Para a especialista, os vídeos são ruins para as crianças pois, além de tratar de temas inadequados, podem impactar até mesmo na concentração.

“Quando o conteúdo apresenta temas inadequados, como violência, relações tóxicas ou situações confusas, a criança pode ter dificuldade de compreender criticamente o que está vendo. Isso pode gerar medo, ansiedade ou até normalizar comportamentos que não são saudáveis”, explicou.

“Além disso, o consumo excessivo de vídeos muito rápidos pode impactar a capacidade de concentração, tornando mais difícil sustentar a atenção em atividades mais longas, como estudar ou ler. Outro ponto relevante é a construção emocional, pois se a criança consome muitas narrativas exageradas ou distorcidas, pode começar a interpretar relações e conflitos de forma pouco realista”, completou.

Pais devem tomar cuidado

Fernanda recomendou que os pais tomem bastante cuidado ao deixar as crianças terem livre acesso a esses vídeos. Não é necessário proibir completamente, mas é imprescindível acompanhar, orientar e estabelecer limites à criança.

“Uma estratégia importante é assistir junto sempre que possível e conversar sobre o que está sendo visto, o que ajuda a desenvolver o pensamento crítico. Também é essencial criar combinados sobre tempo de tela, com rotinas previsíveis”, afirmoul.

A psicóloga orientou os pais a oferecerem alternativas fora do celular, como brincadeiras, esportes, leitura ou atividades criativas, além de dar o exemplo aos filhos. “Quando os adultos demonstram um uso consciente da tecnologia, a criança tende a imitar esse comportamento”, disse.

“Se perceber que o uso está muito intenso ou difícil de controlar, buscar orientação de um psicólogo pode ser um passo importante para entender melhor o que está por trás desse comportamento e construir estratégias mais personalizadas”, finalizou.

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