Apesar da redução de 5,2% no preço da gasolina vendida pela Petrobras às distribuidoras, que anunciada no fim de janeiro, o alívio esperado pelos motoristas mineiros ainda não se concretizou. O corte, que representa cerca de R$ 0,14 por litro na refinaria, tem sido absorvido por outros custos da cadeia produtiva; tornando o impacto nas bombas praticamente imperceptível.

De acordo com o Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo de Minas Gerais (Minaspetro), a queda real para quem abastece foi mínima. Dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP) reforçam esse cenário ao mostrar que o preço médio do combustível em Minas Gerais passou de R$ 6,18 para R$ 6,16, o que representa uma redução de apenas 0,32%. Este valor se mantém muito distante dos 5,2% anunciados pela estatal.

Especialistas e entidades do setor apontam três fatores principais que “anularam” o desconto da Petrobras: a alta do etanol anidro, biocombustível que compõe 30% da mistura da gasolina comum e registrou sucessivas altas nas usinas desde o início de 2026; o reajuste do ICMS, com um aumento na alíquota do imposto estadual que adicionou cerca de R$ 0,10 ao custo de cada litro; e o custo de estoque, já que postos e distribuidoras ainda estão comercializando produtos adquiridos antes da redução, o que acaba retardando o repasse ao consumidor final.

Especialistas explicam que o repasse de quedas nunca é imediato: à medida que os estoques antigos forem renovados, é possível que o consumidor perceba uma leve baixa nos preços. Entretanto, a tendência é que o valor final continue pressionado pelos custos tributários e pelo preço do etanol, impedindo que os R$ 0,14 de redução cheguem integralmente às bombas.