Nesta quinta-feira (27), o Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJGO) encerrou a fase de instrução processual que apura o assassinato da corretora de imóveis Daiane Alves, natural de Uberlândia. Com o fim dessa etapa, o processo entra agora na fase de alegações finais. O réu, o ex-síndico Cléber Rosa de Oliveira, detido desde 28 de janeiro deste ano, responde por homicídio qualificado e ocultação de cadáver.
A audiência de instrução foi conduzida de forma virtual por videoconferência. Durante a sessão, participaram o promotor de Justiça Sávio Fraga e Greco, o defensor do acusado, Nestor Nérton Fernandes Távora Neto, e os quatro advogados que atuam na assistência de acusação em nome da família da vítima.
Na ocasião, foram ouvidas duas testemunhas relacionadas pela defesa. Quando interrogado, Cléber optou por exercer o direito constitucional de permanecer em silêncio. A defesa solicitou a inclusão do regimento interno do condomínio nos autos, pedido aceito pelo juízo sem oposição da acusação.
Com o encerramento da instrução, foi fixado o prazo sucessivo de cinco dias para as alegações finais: primeiro para o Ministério Público de Goiás (MPGO), seguido pela assistência de acusação e, por fim, a defesa do réu.
Relembre o caso
Daiane Alves desapareceu em 17 de dezembro de 2025 e teve o corpo localizado em 28 de janeiro deste ano, em uma área de mata próxima a Caldas Novas (GO). A vítima era proprietária e administradora de diversos apartamentos no condomínio onde residia e alugava os imóveis para temporadas.
Segundo as investigações da Polícia Civil de Goiás, Daiane e Cléber mantinham atritos constantes desde novembro de 2024, originando disputas judiciais mútuas. O MPGO já havia denunciado o síndico por perseguição e agressões contra a corretora, além de haver registro de denúncia contra Daiane por invasão da sala administrativa do condomínio. Relatos indicam que o acusado frequentemente desligava os disjuntores e registros de água dos apartamentos da vítima para prejudicar suas locações.
A apuração policial concluiu que o crime foi premeditado e executado exclusivamente por Cléber. No dia do crime, o síndico desligou o disjuntor de um dos apartamentos de Daiane para atraí-la ao subsolo. Registros gravados pela própria vítima mostram o momento em que ela desce pelo elevador até o subsolo e questiona a falta de energia, sendo atacada por trás pelo investigado logo em seguida.
Após o ataque, o acusado colocou a vítima na capota de seu veículo, efetuou disparos de arma de fogo contra a cabeça dela e ocultou o cadáver na região de mata. O aparelho celular de Daiane, tentado ocultar por Cléber em uma caixa de esgoto, foi recuperado pela equipe de investigação.
