A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) deflagrou, nessa sexta-feira (11/6), em Uberlândia, Triângulo Mineiro, a primeira fase da operação Metritá, visando à repressão do crime de lavagem de dinheiro, supostamente proveniente do tráfico de drogas. Foram cumpridos seis mandados de busca e apreensão em imóveis ligados a suspeitos de envolvimento no esquema criminoso, incluindo residências, empresas e um escritório de contabilidade.
No curso da operação, os policiais apreenderam quatro veículos, além de diversos documentos, aparelhos telefônicos e computadores, os quais serão objeto de análise. Ainda, um homem foi preso em flagrante pela prática de crimes ambientais, uma vez que, em um dos endereços, o suspeito armazenava botijões de gás em condições irregulares e vendia carvão vegetal sem nota fiscal. Ele também mantinha um cão em condições de maus-tratos.
A prisão foi realizada com apoio da Delegacia de Repressão aos Crimes contra o Meio Ambiente em Uberlândia, que participou dos trabalhos coordenados pela Delegacia Regional de Polícia Civil, pertencente ao 9º Departamento. A Polícia Militar de Meio Ambiente foi acionada e lavrou diversas multas em desfavor do infrator. Após o procedimento de autuação em flagrante pela PCMG, o suspeito foi encaminhado ao sistema prisional.
Investigação
Os trabalhos investigativos que culminaram na operação Metritá – cujo nome remete a substantivo grego para designar dinheiro – são desdobramento de uma prisão em flagrante no dia 16 de janeiro deste ano. Na ocasião, a Polícia Militar flagrou o suspeito saindo de um local utilizado para guarda de armas e de entorpecentes. O homem foi abordado em veículo no qual transportava quase R$ 27 mil em espécie. Em seguida, os policiais retornaram ao imóvel e encontraram 23 barras de crack, apetrechos e utensílios utilizados para preparação da droga e uma pistola calibre 380.
A partir daí, a PCMG instaurou procedimento investigatório para apurar a possível ocultação e dissimulação de origem de bens e valores decorrentes, direta ou indiretamente, do crime de tráfico de drogas. No curso dos levantamentos, os policiais identificaram que o investigado é apontado como um dos maiores traficantes da região do bairro Canaã e utilizava empresas de seus familiares para dar aparência de licitude aos bens.
As investigações apontam indícios de que os suspeitos utilizavam empresas no ramo do comércio de bebidas e distribuição de gás para justificar a origem dos valores provenientes das condutas criminosas. Também foram identificados diversos veículos, supostamente adquiridos em nome de interpostas pessoas (“laranjas”), visando ocultar a verdadeira propriedade dos bens, os quais são utilizados para conversão de valores, em tese, ilícitos, em bens lícitos.
Há, ainda, indicativos de que os suspeitos contavam com a participação de escritório de contabilidade para legitimar os balanços contábeis das empresas de fachada.
Sequestro de bens
As investigações demonstraram descompasso entre a renda declarada dos suspeitos e o patrimônio que eles ostentavam. Assim, a Polícia Civil representou por medidas cautelares, como quebra de sigilo bancário e fiscal, de busca e apreensão, e sequestro de bens e valores. Como desdobramento, o Poder Judiciário da comarca expediu ordens para sequestro de até R$ 300 mil em contas bancárias, poupanças e fundos em nome dos investigados e pessoas jurídicas utilizadas no suposto processo de lavagem, além de decretar a indisponibilidade dos valores e veículos já apreendidos.