O Tribunal do Júri de Uberlândia deve decidir hoje (5) o futuro de Aldo Fabiano Angelotti, de 43 anos. Ele é acusado de provocar um acidente de carro que supostamente resultou na morte de sua companheira, Maria Cláudia Santos Freitas, há dois anos. No entanto, o que inicialmente parecia uma tragédia no trânsito transformou-se em uma investigação de feminicídio premeditado com motivação financeira.

O caso ocorreu em 30 de agosto de 2024, no bairro Laranjeiras. Aldo conduzia o veículo e Maria Cláudia estava no banco do passageiro quando o carro colidiu violentamente contra uma árvore.

Embora o réu sustente a tese de que o ocorrido foi uma fatalidade, a perícia técnica reuniu evidências cruciais que contestam essa versão. Os peritos constataram que, enquanto o airbag do motorista funcionou e protegeu Aldo, o sistema de segurança do lado da passageira havia sido desativado manualmente de forma prévia.

Além disso, a análise do local não encontrou marcas de frenagem ou qualquer tentativa de parar o veículo antes da colisão, que ocorreu a 60 km/h, velocidade acima do limite permitido na via. Outro ponto determinante apontado pela Polícia Civil foi a trajetória deliberada do carro: houve uma mudança brusca de direção para atingir justamente a única árvore do trajeto capaz de provocar ferimentos fatais em Maria Cláudia.

A investigação da Polícia Civil revelou que o casal tinha um histórico conturbado: Maria Cláudia chegou a registrar um boletim de ocorrência por ameaça de morte em 2023, mas eles reataram o relacionamento no início de 2024.

Pouco antes da morte, foram feitas três apólices de seguro de vida em nome da vítima. Aldo era um dos beneficiários e os valores somados chegavam a aproximadamente R$ 1 milhão. Para a polícia, a existência desses seguros reforça a tese de que o crime foi planejado para o enriquecimento do acusado.

Aldo Fabiano está preso desde dezembro no Presídio Professor Jacy de Assis, em Uberlândia. Ele nega todas as acusações e sustenta a tese de fatalidade. O processo segue sob segredo de justiça, e o julgamento marca um passo decisivo para a conclusão de um dos casos mais chocantes da região.

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