
Uma mulher de 38 anos, identificada como Aline Roberta Fagundes, foi presa na noite desta terça-feira, 5, após confessar o assassinato de uma gestante para roubar o bebê, em Uberlândia. Logo em seguida, a autora teve que ir até um Hospital da cidade para salvar a vida da recém-nascida, que quase foi a óbito durante o parto clandestino.
Aline Roberta disse em depoimento que pegou o sangue da vítima e passou no próprio corpo, na região genital, para simular ter feito um parto normal em casa. Ela ainda confessou ter pesquisado na internet como fazer um parto cesárea.
A assassina confessa disse que atraiu a vítima para casa dizendo que doaria roupinhas de bebê. Lá ela enforcou a gestante, supostamente até a morte.
O crime foi registrado no Bairro Monte Hebron. Gabrielle Barcelos, de 18 anos, estava grávida de oito meses e com todo o enxoval pronto para receber a pequena Sophia Gabrielly, primogênita. O corpo da vítima foi encontrado caído no quintal da casa da suspeita, depois que os militares receberam uma denúncia de encontro de cadáver.
Quem denunciou foi o próprio filho da suspeita. O adolescente de 14 anos chegou em casa e viu sangue pelos cômodos. No quintal avistou um colchão que parecia estar com um corpo dentro.
Logo a PM conseguiu cruzar informações da mulher morta com corte na barriga e outra mulher que deu entrada na UAI Planalto com uma recém-nascida em estado grave. Porém, a suposta mãe não tinha sinais convincentes de ter feito um parto, apesar de ter se sujado com o sangue da vítima.
A mulher passou por vários exames, acompanhada da Polícia Militar (PM) e todos comprovaram que ela jamais teve um parto.
Gabrielle estava nua da cintura para cima e com um corte profundo na barriga. O namorado da gestante, menor de 16 anos, está desesperado.

Avó da gestante conta drama da família
A avó da grávida, Maria Aparecida da Silva, que mora no Bairro Morumbi, conversou com a nossa equipe de reportagem, e relatou o drama vivido pela família, que aguardava ansiosa a chegada da bebê Sophia. “Estamos em pedaços. Essa vagabunda tirou a vida da minha neta, nós queremos justiça”, disse transtornada.
Marido da autora é preso como co-autor
O marido de Aline Roberta (foto ao lado), um homem de 34 anos, também foi preso. Segundo a Polícia Militar (PM) há indícios de ele estar envolvido no crime.
Segundo informações da PM, Aline premeditou tudo. Ela estaria sustentando uma gravidez fictícia para o companheiro, que a pressionava há tempos para ter um filho.
Ela, não tendo outra saída, pois já seria tempo do nascimento do suposto filho que esperava, cometeu o crime para aparecer com o bebê.

Sophia Gabrielly está internada na UTI do Hospital de Clínicas da Universidade Federal de Uberlândia (HC-UFU), em estado grave, com risco de morte.
Segundo caso de bebê arrancado da mãe
Este é o segundo caso registrado na região do Triângulo Mineiro em que o bebê foi arrancado da barriga da mãe em uma cesárea clandestina e criminosa. Nos dois casos as autoras do crime simularam estar grávidas e queriam roubar o bebê para sustentar a mentira aos companheiros, familiares e amigos.

O primeiro deles é o caso de Greiciara Belo Vieira, de 19 anos, assassinada no dia 19 de agosto de 2016, em Ituiutaba. A jovem estava grávida de nove meses da pequena Alícia Marianny. Ela morava em Uberlândia e teria tido a morte premeditada pela mandante Shirley de Oliveira Benfica, que queria sustentar um relacionamento com um empresário de Araguari.
Greiciara estava viva quando foi morta, apenas dopada com éter. O corpo dela foi jogado em uma represa, com pedras dentro da barriga para fazer peso e a vítima afundar. Ela tinha mãos e pés amarrados e estava enrolada em uma tela de arame.
Duas pessoas já foram julgadas e condenadas pelo assassinato de Greiciara e roubo do bebê: Lucas Matheus Silva, de 22 anos, conhecido como Mirela, pegou 19 anos e 8 meses de prisão. Já Jhonatan Martins Ribeiro de Lima, de 24 anos, foi condenado a 25 anos e 9 meses.
A suposta mandante, Shirley Benfica, a enfermeira Jacira Santos de Oliveira, que teria realizado o parto clandestino, Michel Nogueira de Oliveira e Luís Felipe Morais ainda serão julgados.
A bebê sobreviveu. A avó materna ficou com a guarda de Alícia Marianny.
Veja a reportagem de Anderson Magrão, com imagens de Rafael Crosara.
https://www.youtube.com/watch?v=AX1Sq6KfdDk
E na reportagem de Bruno Rocha
https://www.youtube.com/watch?v=BPbRD3apKrw