Ex-presidente relembrou medidas adotadas por governos petistas, que beneficiaram a população negra

Em discurso feito por videochamada no evento de lançamento da iniciativa Quilombo nos Parlamentos — que visa a impulsionar pré-candidaturas de pessoas negras às assembleias estaduais e ao Congresso –, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta 2ª feira (6.jun) que o Brasil será “soberano” apenas quando houver realmente igualdade de condições para todos os cidadãos.

“O que eu entendo é que é possível fazer muito mais, porque ainda falta muita coisa para fazer. Ainda tem muita desigualdade, ainda tem muito racismo neste país, e nós precisamos ter em conta que esse país só será livre, só será independente, só será democrático e só será soberano quando todos forem tratados verdadeiramente em igualdade de condições. E nós sabemos que isso não existe ainda”, afirmou o petista.

Ainda no discurso, ele citou melhoras de índices relacionados à população negra que teriam ocorrido ao longo das gestões petistas no Palácio do Planalto, como aumentos no número de negros de 15 a 17 anos cursando o Ensino Médio (30% do total de negros da faixa etária em 2000, 50% em 2010 e 65% em 2018) e no de pessoas negras matriculados em universidades (23% dos matriculados em 2002, 43% em 2015 e maioria em 2018); e relembrou políticas adotadas pelos governos petistas que beneficiaram os negros, como o antigo Bolsa Família e o Programa Brasil Quilombola, que teriam demonstrado que, “quando o estado age tentando atender toda a sociedade, é possível levar políticas públicas para a sociedade brasileira, sobretudo para os mais pobres”.

Lula celebrou o lançamento do Quilombo nos Parlamentos; em um primeiro momento, chamou o evento de “extraordinário” e, depois, pontuou: “Bendito o momento que você decidiram entrar na política. Bendito o momento que vocês tomaram a decisão de se organizar e construir uma plataforma a partir daquilo que é o dia a dia de vocês”. Em ataque ao governo Bolsonaro, disse que “o racismo é uma doença que tomou conta do fascismo que governa o nosso querido Brasil”.

Ao final do discurso, Lula expressou desejo de que, nas eleições deste ano, seja eleita uma maioria de mulheres e homens negros como deputados federais, deputados estaduais, senadores e governadores, “para que a gente mude definitivamente a história do país”.

Antes de o petista falar, vários pré-candidatos negros discursaram também. Entre eles, Maria Tereza (PT), que pretende concorrer para deputada estadual em Minas Gerais, Roseli Faria, a deputada federal pelo DF e Verônica Lima, e a vereadora do Rio Verônica Lima (PT), a deputada estadual do Rio de Janeiro. De acordo coma primeira, sua candidatura será “abolicionista penal e antiproibicionista”. Disse não poder mais conviver “com a juventude negra sendo encarcerada por qualquer grama  de maconha, enquanto a ‘playboyzada’ fuma e cheira à vontade”.

Roseli, por sua vez, classificou esta data como “histórica”. “É um dia que estamos honrando a memória dos nossos ancestrais. E continuaremos a honrar nos parlamentos desse país. Vamos defender políticas sociais libertadoras do nosso povo, mas também vamos discutir a economia inclusiva, justa, sustentável, feminista e antirracista”, completou. Já Verônica disse que o “Estado brasileiro tem uma enorme dívida para com seu povo negro” e que o processo eleitoral é “ainda mais difícil” para pessoas negras.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *