Sem novos projetos de moradia popular, famílias aguardam na fila enquanto outras, sem fiscalização dos órgãos competentes negociam casas e apartamentos do Minha Casa Minha Vida em Uberlândia.
Wiliana Cristina, de 40 anos, é viúva e mãe de dois filhos. Ela mora de aluguel e aguarda desde 2012 uma resposta da prefeitura sobre o cadastro para algum programa de moradia. Na mesma situação está Renata Maria de Brito, de 36 anos. Ela é solteira, mãe de três filhos e vende bolo no pote para ajudar a pagar as despesas. Ganhando aproximadamente R$600 com esse serviço, ela utiliza o valor da venda para pagar o aluguel.
Enquanto Wiliana e Renata aguardam o sonho de ter a casa própria através do Minha Casa Minha Vida, muitos imóveis do projeto estão fechados há mais de quatro anos com contas de água e energia se acumulando. Em um residencial da cidade cerca de 50 apartamentos estão irregulares, sendo que muitas pessoas que precisam poderiam ser donas de um desses. O síndico do condomínio, Fabrício Estevan, contou que já procurou a Caixa Econômica Federal e a Prefeitura de Uberlândia, mas nada foi feito.
O Bairro Tocantins possui dois residenciais do programa Minha Casa Minha Vida. Juntos, somam 576 apartamentos. Cada família paga até 80 reais de prestação, mas o síndico afirmou que diversas irregularidades acontecem.
Essas moradias foram entregues no governo passado e não podem ser vendidas, cedidas, ou até mesmo alugadas, mas de quem é a responsabilidade em fiscalizar essas vendas irregulares e dar o destino correto aos imóveis? Segundo a Caixa, somente a partir de denúncias é que providências são tomadas. O banco solicita a prefeitura que faça a fiscalização. Se a irregularidade for constatada, a Caixa volta e notifica o mutuário. Caso persista, a Polícia Federal poderá agir e reaver o imóvel.
A situação não é diferente nos residenciais com casas como no Pequis e Monte Hebron, onde 5200 residências foram entregues. Passados quatro anos, não é difícil encontrar moradias abandonadas e tirando a oportunidade de quem precisa.
A produção da TV Vitoriosa teve acesso a gravações de uma negociação que envolvia uma residência do projeto. Confira na reportagem de Rodrigo Fernandes.